Neste espaço, Moretti reserva alguns de seus pensamentos sobre sexualidade e, sobretudo, podofetichismo. A idéia é continuar publicando suas reflexões com o objetivo de estimular a busca pela nossa verdadeira sexualidade, considerando todas as suas dimensões. Muitas vezes o enfoque será a paixão pelos pés, outras vezes os demais fetiches. Moretti entende que devemos respeitar nossa sexualidade, livrando-nos de tabus e autopreconceitos impostos pela cultura sexual repressiva pela qual todos fomos submetidos. Boa leitura! A EXPERIÊNCIA Então vamos lá. Tirem seus sapatos e sandálias, ponham seus pés para cima porque começaremos nosso prazeroso bate-papo. Falar sobre pés. Esta é a proposta. Constantemente algumas pessoas me perguntam: “mas como é que você tem tantas coisas para falar sobre pés?”, ou, “como é que você conseguiu escrever um livro inteiro só a respeito dos pés?”. Típicas questões daqueles que ainda não tiveram a oportunidade de vivenciar aquilo que chamo de “A Experiência”, momento no qual há uma convergência de nossa energia vital para um estado sexual muito mais elevado do que o simples vai-e-vem do sexo puramente carnal. Este último, por sua vez, deprime-nos, ao invés de nos conduzir ao estado sublime de orgasmo espiritual. É claro que, respeitando a humildade ou imaturidade sexual daqueles que não entendem a essência fetichista, respondo sempre da mesma maneira: “Descubra por si só”. E hoje, em função de situações como esta, resolvi falar sobre “A Experiência”, sob a ótica podoerótica, é claro. Existem pessoas que simplesmente repudiam seus pés. Elas associam seus pés ao que é imundo, grosseiro e esteticamente desprestigiado, renegando uma parte de seu próprio corpo! Segmentam o corpo em meras “partes”, como se ele não fosse um Todo sexual. “Pés? Não tinha outra parte mais interessante para gostar não?” – é a pergunta que todo e qualquer podólatra já enfrentou. Pessoas que fazem este tipo de observação ainda não se deram conta de que nosso corpo é Uno e devem tomar consciência plena desta unidade. A fase em que eu sentia raiva desses infelizes comentários passou, transformando aquele meu estado de intolerância em um simples sentimento de pena. Desprivilegiados são aqueles que ainda não desfrutaram do infinito potencial de maravilhas que seus pés, sendo homens ou mulheres, podem lhe proporcionar. Se eles soubessem, pelo menos, que graças à evolução da estrutura física de nossos pés, somos os únicos seres capazes de copular frente a frente com o ser amado, ou ainda, que é o andar sensual feminino sobre saltos, o que realmente seduz, consciente ou inconscientemente os homens, suas opiniões quanto a veneração deste perfeito membro não seriam tão desmerecedoras. Por outro lado, ao me deparar com mulheres que já desfrutaram da erogenidade de seus pés, não hesitam em assumir com veemência um acentuado declínio para as relações envolvendo-os plenamente. Sim, por meio da vivência podofetichista, dão os primeiros passos rumo à Experiência. Suplicando tácita ou extrovertidamente pela revivência das sensações proporcionadas pela Experiência, ou lampejos dela, exibem sua podoeroticidade, invocando olhares da enfeitiçada linhagem de homens de sensibilidade aguçada, os já conhecidos podólatras. Sim, os podólatras são os adoradores e "caçadores de pezinhos", pezinhos estes delicadamente criados à imagem e semelhança das mais voluptuosas fantasias podoeróticas. E, como quaisquer outros fetichistas, os podólatras tornam-se guias, mestres que transcendem as barreiras da relação sexual como fim em si mesma, transformando-a num meio para que os amantes encontrem o caminho da verdadeira Experiência. A Experiência que não acaba no gozo, simplesmente. Mas, A Experiência que transforma a essência do orgasmo numa sensação divina de constante deleite espiritual. A partir do momento em que o indivíduo tomar consciência de sua própria sexualidade, encarando-a de maneira natural e desfrutando-a plenamente, derrubar-se-ão os rótulos hipócritas criados pela chamada “sociedade”, que hoje estão impregnados na mente de muitos de nós, culpando-nos de nossos atos prazerosos e impondo barreiras ao nosso crescimento sexual. A cultura sexualmente repressiva nos tornou pobres, culpados por sentirmos tesão, seja por bundas, peitos, palmadas ou pés. E, em decorrência disso, muitos acabaram por se perder em meio ao turbilhão criado pela hipocrisia que os mutilou sexualmente. Desta forma, poucos são aqueles que atingem “A Experiência” propriamente dita. E sem a Consciência despertada pela Experiência, a vida se torna manca, sem um dos alicerces fundamentais, que é o sexo que transcende a si mesmo, como meio de felicidade e iluminação. Se você gosta de chulé, cheire chulé! Solinhas sujas? Lamba-as! Dedinhos na boca? Sinta cada um deles em seus lábios. Aproveite cada fluxo da libido. Una-se no presente com o ser amado e, junto a ele, desfrute da Experiência. Mas nunca se deixe ludibriar pelos falsos moralistas. Caso contrário, acabará louco como eles, que institucionalizaram o fetichismo como perversão! Porém, em seus quartos escuros, são constantemente assombrados pelo seu próprio veneno, pois sabem que não podem fugir da manifestação da essência da vida, a sua própria sexualidade.
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